Novos tempos

– A gente vai acabar se fudendo vampirão, você precisa fazer algo!

– Você não, vossa excelência, já disse-lhe inúmeras vezes

– Vossa excelência de cu é rola, que tu só tá nessa cadeira porque a gente deixou. E traz logo a porra do cafezinho.

– Se acalme senador Mefistófeles. Nós vamos resolver

– Ô mordomo, qual é a idéia brilhante dessa vez?

– Deputado Asmodeus, um pouco de respeito. O Dória me deu uma idéia genial…esse menino… me lembra a minha juventude lá na Transilvânia.

– Já sei, a idéia dele é trocar esse terno da Ducal por um casaquinho Lacoste…

As risadas tomam conta do gabinete. O senador Mefistófeles acaricia um Angorá no colo. Não o gato, o próprio ministro.

– Atenção por favor!

O presidente faz o anúncio solene

– Vamos privatizar o governo.

– Caralho vampirão, que porra é essa?

– Empreendedorismo, livre iniciativa, leis de mercado, Aquilo que vocês falam na Globonews.

– Puta que pariu, a gente fala um montão de bobagem, tu vai querer que a gente coma a merda que fala? Tá maluco?

– O mundo inteiro discute a legalização das drogas. Daremos um passo à frente: vamos legalizar a propina. Com recibo e tudo

O deputado Asmodeus fica intrigado

– Recibo? O que é recibo?

– Teremos uma tabela de serviços, como toda empresa: quer um modificação de lei? Cem milhões. Vitória em licitação? Dez por cento. Impeachment? Dez bilhões. Liberação de carne estragada? Cinquenta milhões. Isenção de imposto? Um bilhão.

– Porra, esse impeachment tá barato, a gente recebeu bem mais pelo último.

– Acaba esse mimimi de caixa 2, essa chateação de abrir trust no Caribe etc. A população pode acompanhar nosso desempenho on line, como se fosse a bolsa de valores. Aliás, o menino Dória também sugeriu um IPO na bolsa de NY.

– Peraí mordomo, se a gente der nota fiscal vai ter que pagar imposto. Imposto, caralho!

Asmodeus volta a ficar intrigado

– Imposto? O que é imposto?

– Sim, claro, teremos impostos, obviamente de acordo com a importância do cargo: presidentes e governadores serão isentos. Ministros e senadores cinco por cento. Deputados e secretários, dez por cento

– Mas isso é um roubo! Também queremos isenção!

– Isenção? Um bilhão.

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