Playstation

Nove da manhã de domingo e o Martín está atracado com o iPad. Um garoto de sete anos deveria estar correndo ao ar livre, não com a cara enfiada num tablet, explica o bom senso, que acorda cedo até no fim de semana.
 
Se o que uma criança precisa é de um adulto responsável então estabeleço uma nova ordem na casa: tablet, só meia hora por dia. E playstation? Suplica o menino desolado. Socializar também é bom, grita lá de dentro o bom senso. Playstation pode uma hora mas só se for com mais gente, sozinho não, decreto.
 
– Então vamos jogar uma partida de Fifa!
 
Planejo grandes aventuras para o fim de semana mas a preguiça sempre tem sua própria agenda: vou eu pro sofá jogar videogame com meu filho. Para “dar mais graça” e ao mesmo tempo dar uma volta nas novas regras, o Martín propõe uma aposta: se ele ganhar leva mais meia hora de Ipad.
 
Hummm…sei não…e se perder? Ele lembra que tem cinco doláres que o avô deu. Quinze minutos contra cinco dólares. Que mal pode haver numa inocente aposta? Além disso um pai não pode fugir de desafios, é mau exemplo. As partidas (e as apostas) vão se sucedendo no ensolarado dia.
 
Quando a minhã mãe chega para o almoço descobre que passamos a manhã inteira do domingo jogando videogame. Não só isso, constata que devo três dias, dez horas e quarenta e cinco minutos de tablet ao Martín e que ele me deve cinco dólares, três euros, sete reais, cinco cartas de pokémon e um toblerone que o pilantrinha tinha escondido no freezer. Ela dá um esporro nos dois, pega o tablet, pega o playstation e tranca tudo no armário.
 
Quando vai embora ainda leva a chave.
 
O que uma criança precisa é de um adulto responsável.

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