O bloco (neo) liberal

O problema do Brasil é o atraso. Enquanto as grandes nações estão abraçadas ao liberalismo, à livre iniciativa, nós rodopiando pelo salão atracados com a ineficiência. Não é à toa que nada dá certo por aqui.

Semana passada a prefeitura multou um bloco no Rio porque tinha um cercadinho VIP. Que absurdo! Mais uma vez o Estado interferindo no empreendedorismo, no arrojo visionário que só floresce no capitalismo.

Esses mesmos blocos, por exemplo, são as coisas mais ineficientes e improdutivas da atualidade. Um bando de desocupados bêbados cantando coisas sem sentido e atrapalhando o transito da cidade. Quem ganha com isso? Porque não dar um choque de modernidade nessa instituição errática?

A primeira coisa é o cercadinho VIP. Um só? Não! Vários! Mas não com esse nome antiquado e preconceituoso. Camarote fica melhor. Camarote master, com direito a fantasia básica e cerveja do patrocinador. Camarote Gold, com os itens anteriores mais adereços e openbar.

E, claro, o camarote premium diferenciado rooftop, no alto do carro de som, com garçons, cardápio de cervejas artesanais, banheiro exclusivo e vista panorâmica para a patuléia ignara.

Outra evolução seria a oferta de “experiências”. O “scream of war experience”, por exemplo: por uma determinada quantia o folião poderia pegar o microfone e dar o grito de guerra no inicio do desfile: “Alô comunidade do Jardim Pernambuco! A hora é essa! Vambora!” Quem não gostaria de viver essa emoção? Basta pagar!

A bateria é outra oportunidade. Não se pode deixá-la só na mão dos músicos. Não dá lucro. Melhor vender para o público a “The tambourine experience”, dez minutos mandando ver no ritmo. O folião tocando e a caixa registradora tilintando, como deve ser em qualquer país do primeiro mundo.

E o playlist do bloco? Com a “Jukebox experience” o folião com Visa, Credicard ou Amex comanda a alegria com suas musicas favoritas. Quer ouvir sertanejo, quer ouvir pagode romântico? Não tem problema, o DJ transforma em samba e joga na caixa. Nos intervalos, jingles dos patrocinadores.

Essa é a maneira correta de transformar essa bagunça momesca num empreendimento moderno, que seja atraente para os investidores e que agregue valor ao Rio de Janeiro

Só assim o Carnaval deixará de ser coisa de loucos e delirantes.

Deixe uma resposta