Futebol

Martín, que tem cinco anos, joga futebol numa escolinha. Não leva muito jeito pra coisa mas se diverte bastante. Só reclama quando tem que ficar no gol. Nas últimas semanas as reclamações sumiram. Fiquei intrigado e prestei muita atenção na última aula. Quando o treinador ia separar os times vi que o Martín ficou exatamente atrás dele. Assim que foram escolhidos os goleiros ele reapareceu na frente, todo faceiro, pronto para ganhar sua posição na linha.
Como um bom um pai, maduro e sensato, conversei com ele, expliquei que jogar como goleiro também é bom, que é importante jogar em todas as posições para aprender, ficar se escondendo não é a solução, malandragem não resolve nada etc
No fim de semana descemos ao play para jogar. Avisei que dessa vez íamos jogar por tempo, quinze minutos, ao invés de número de gols, como sempre fazíamos. “É pra você aprender como se joga de verdade”, disse eu, o pai maduro e sensato. Começamos a partida e ele toda hora perguntando:

– Papai, quanto falta?
– Dez minutos.
– Papai, Quanto falta?
– Cinco minutos.
– Papai, quanto falta?
– Dois minutos.
Até que, quando ele estava ganhando por dois a um, pergunta mais uma vez:
– Papai, quanto falta?
– Trinta segundos!

Ele olha pra mim, dá uma pensada e zum! Isola a bola lá pra garagem. Às gargalhadas ele comemora a vitória, enquanto o pai, maduro e sensato, corre inutilmente atrás do prejuízo.

2 thoughts on “Futebol

  1. regin@ disse:

    Rindo um bocado! O Martin é brasileiríssimo… sabe como dar “jeitinhos”. Será que ele vai ser político? Perdoe, pois a pergunta não é ofensiva. Afinal os “jeitinhos” nem sempre são maldosos mas apenas criativos.
    Martin deve ser uma gracinha!
    abçs da regin@

  2. Fabio Rossi disse:

    Essa mistura portenho-carioca é altamente explosiva… Daqui a pouco aprende a dar carrinho por trás. No mais, parabéns pelo filhão!!! Abraços!

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