A minha maluquice está sempre de fraque

(Este texto foi originalmente produzido para o jornal “The Beach)

Foi numa viagem à Grécia, com uma namorada nova. Tudo estava lindo e maravilhoso até que numa manhã de sol ela anunciou: vamos a uma praia de nudismo! Como era na Grécia e ela era uma namorada nova, não tive como negar. Queria parecer moderno, desencanado, livre das amarras da sociedade opressora. Exatamente o contrário do que realmente sou.
Não foi fácil. Primeiro uma longa trilha e depois um penhasco íngreme para conseguir chegar. Era uma praia bem mais ou menos por sinal, areia escura e água gelada. Mas era só o início. Ao contrário do que toda a literatura erótica apregoa, uma praia de nudismo não é um concurso de modelos. Disso as revistas masculinas não falam. Sabe a sua reunião de condomínio? Aquela que acontece no playground do prédio? Pois é, agora imagine toda aquela gente sem roupa. Isso é uma praia de nudismo real. Um festival de peitos caídos, de bundas flácidas, de barrigas proeminentes ( principalmente a minha). Quando os banhistas se movimentavam era um anúncio de gelatina em tempo real. Mas os problemas estavam só começando. O mais importante era o protetor solar, afinal havia partes do meu corpo que só tinham visto a luz do sol nos anos setenta. Exigiam uma cuidadosa dose. Alguém consegue imaginar alguma maneira digna e discreta de se aplicar protetor nas partes? Eu também não. Tentei disfarçar, fazer sentado, mas o acesso não era fácil. Tive que ficar em pé. Sou o tipo de pessoa que tranca a porta do banheiro mesmo quando está sozinho em casa, então ficar em pé me besuntando intimamente, à vista de todos, foi uma tortura digna do DOI-CODI. E ainda tinha o problema da areia. Não dá para imaginar aonde uma areia fina consegue entrar num corpo nu. Durante meses achei grãos de areia nos lugares mais improváveis e constrangedores. E essa areia, é claro, criava um efeito abrasivo que doía horrores. Foram meses me lixando, literalmente.
O pior estava por vir, como sempre. Quando entrei na água ela não era só fria. Era glacial. E todos os homens sabem o efeito da água muito fria no corpo masculino, não é? O da água gelada é ainda pior. Aquilo que era, na minha própria e imparcial visão, um motivo de orgulho, um monumento à virilidade, tinha se transformado num patético e microscópico penduricalho, uma amostra grátis de mim mesmo. Imediatamente comecei a imaginar a praia inteira às gargalhadas e minha foto sendo objeto de estudo em congressos de urologia.
Subi o penhasco em meio segundo. A longa trilha em meio minuto. Em menos de uma hora já estava no aeroporto com a passagem na mão.

Nunca mais soube da namorada.

5 thoughts on “A minha maluquice está sempre de fraque

  1. eliana camara disse:

    Leo, você é muito bom !!!!

  2. regin@ disse:

    Rindo muito!!! O dom de fazer rir é muito especial!
    abçs regin@

  3. Johny disse:

    oringinalmente?

  4. Gisele disse:

    Rolando de rir!!!

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