O rolezinho dos playboys

O rolezinho começa a se espalhar. Para quem chegou agora: rolezinho é quando um grupo grande de jovens, normalmente da periferia, vão ao shopping center juntos. Jovens no shopping não são um problema, é até a apoteose do sistema capitalista. O questão é que estes do rolezinho são pretos e pobres.

Indignados com esse fenômeno cultural formado à sua revelia, os playboys do Leblon ficam revoltados. Na Pro Forma, no Jobi, no Sushi Leblon, não se fala em outra coisa. “É preciso fazer alguma coisa para retomar a cidade,  hoje eles estão no shopping, amanhã vão querer o governo. Temos que deter esse absurdo” exclamam. “Mas como? “ ao mesmo se perguntam.

Os happy few da Zona Sul marcam um encontro para tomar uma atitude. Numa tensa reunião no Jobi decide-se a vingança: retribuir na mesma moeda criando o rolezinho premium, cuja primeira edição vai ser num baile funk. “Eles invadem nossa área, nos invadimos a deles! “, pensam, satisfeitos com a própria sagacidade.

No fim de semana seguinte um ônibus, com o ar condicionado e serviço de bordo, parte da Dias Ferreira rumo ao Castelo das Pedras, o baile funk mais pop da cidade. São quarenta bravos dispostos a criar confusão e desordem, a mostrar quem é que manda neste balneário decadente. Um deles é obrigado a assumir a direção, já que o motorista do onibus é preto e pobre, o que cria um dilema ético na vingança.

Ao chegar no Castelo o ônibus fica uma hora parado, esperando o valet. A ausência deste serviço revolta mais ainda os guerreiros diferenciados. “Isso é uma falta de respeito!”.  Entram no baile gritando e pulando.

Três horas depois ninguém percebeu a presença do belicoso grupo. O som alto, a fumaça e a escuridão não ajudam. Dois deles são desmascarados ao pedir à equipe de som para tocar algo do David Guetta. Outros três desistem ao saber que a adega do bar não é climatizada. Os demais, assustados com tanta gente diferente, batem em retirada. Na volta se perdem e vão parar numa favela dominada pela milícia. O ônibus é confiscado e eles tem que voltar a pé.

A humilhação no território inimigo reforça o movimento. É lançada uma campanha no Facebook com o apoio de todos os colunistas de direita, que já tinham aderido antes até do movimento começar. Desta vez toda a Zona Sul ( menos o Catete)  é chamada: empresários, artistas, políticos. Até o Tea party americano manda um representante. “ A Zona Sul está acuada”, posta uma socialite aterrorizada. “Eles já tomaram o Arpoador!” se revolta uma blogueira de moda. “A culpa é dos comunistas, dos gays e do Brizola, como sempre.” escreve um general aposentado.

Uma nova operação é convocada. A reunião é na BodyTech. Desta vez o rolezinho será no Mercadão de Madureira. O lugar é escolhido por que uma socialite colocou uma escuta clandestina na cozinha e ouviu a empregada citar várias vezes o lugar enquanto conversava com a copeira. “vamos fechar o shopping deles!”

Desta vez todos vão de carro. Os GPS são programados com cuidado por que ninguém sabe muito bem onde fica Madureira. São quase mil voluntários. Muita gente. O problema é que onde tem muita gente, pelas regras da Zona Sul, tem que ter setor vip. E quem serão os vips dentre os voluntários? O caos se instala. Fica decidido, a contragosto, que todos serão iguais no dia do rolezinho. Mas apenas nesse dia. Mesmo assim muitos se retiram da reunião indignados, acusando o grupo de tentar transformar a Zona Sul em Cuba. “Era o que faltava, o fim da desigualdade!” bradam, espumando de raiva. A polêmica volta a se instalar.  “Nem pulseira de convidado? “ exclama a socialite. “Nem um abadá? “ reclama a blogueira de moda. Decidem que todos serão vips. A solução não agrada, já que não há nenhum sentido em ser vip se não existem não-vips. No final a solução é que todos serão vips menos o faxineiro da academia que estava limpando os aparelhos. A paz e a união retornam ao grupo. O rolezinho fica marcado para o fim de semana seguinte.

No dia agendado os habituais clientes do Mercadão estranham a quantidade de peruas e playboys vestidos com camisetas do Che Guevara nos corredores. Quando estes começam a fazer bagunça e cantar músicas da Lady Gaga e da Beyoncé em voz alta o resto do público pensa que é uma pegadinha do Pânico. O problema é que de repente a socialite e a blogueira de moda gritam, em uníssono: “Olhaaaaa o preço diiiisssoooooooo!!!!”

Nesse momento o rolezinho descamba para a barbárie. Quando os revoltosos do Leblon ouvem o grito das duas e percebem que estão num shopping popular entram em modo “outlet de Miami”: saem comprando tudo o que veem pela frente como se não houvesse amanhã. É o horror. Os mil voluntários aos tapas disputando cada badulaque de 1,99. O estrago do é tão grande que não sobra absolutamente nada, as lojas ficam vazias. O Mercadão teve que fechar as portas naquele dia por falta do que vender. A ameaça fora cumprida.

A notícia de que o rolezinho dos moradores do Leblon fechou o Mercadão de Madureira se espalha como rastilho de pólvora. Jornais e TVs exaltam a  conquista: “É a elite brasileira mostrando o seu valor, não se deixando subjugar por meliantes e arruaceiros travestidos de necessitados”

Parece tudo pronto para uma guerra civil. Eis que um político e um empresário surgem com o “circuito do rolezinho”. Varios shoppings abrem suas portas para o evento, em dia e hora marcados, com um trajeto pré-definido. Padrão FIFA. Os participantes ganham uniforme da Reserva e concorrem a brindes no final.

Um sucesso. Alguns dos participantes do rolezinho original ficam chateados por que o circuito era sempre na hora em que os shoppings estariam normalmente fechados e o trajeto evitava as marcas de luxo. Mas a farta distribuição de brindes da Nike e da Adidas conquista a grande maioria.

O Rio de Janeiro volta ao normal.

48 thoughts on “O rolezinho dos playboys

  1. jureis disse:

    maravilhoso argumento, cara. Parabéns!
    … que tal adaptar pra cinema e dotar a entidade “comédia de grande público” de um nivel de inteligencia que “nunca houve na historia desse pais”?
    Eu me candidato!
    Juliana Reis (e to falando serio!)

  2. Cátia R. Silva disse:

    Muito bom ! Só a ironia pode tratar deste assunto…rs

  3. Bia Prado disse:

    Bom demais. O problema é que nem a ironia é capaz de fazer com que essas pessoas percebam o nível de racismo, preconceito, classismo e todos os absurdos que estão impregnados em seus discursos e atitudes.
    Escreva sempre, Leo!

    • lilian disse:

      eu percebo que quando entram garotos/garotas negros ou mau vestidos, logo os seguranças ficam atrás e eu já vi o absurdo de presenciar o segurança abordando um menino que estava saindo com uma caixa do shopping.

      • léo disse:

        Não precisa ser negro e mau vestido, o simples fato de você ser “moreno” e usar roupas largas já é um motivo para essa perseguição ou atrair olhares, eu passo por isso.

  4. Leonardo Amando disse:

    Ok ok, muito bom, desde que se abstraia o poder de mobilização de anencéfalos, através da internet, usados como massa de manobra, em ano eleitoral.
    Rolezinho no CCBB, na Biblioteca Nacional e nos museus ninguém marca, né ?
    O ponto é confrontar os capitalistas malvados, e seus templos de consumo.
    Entendi….

  5. Marcos disse:

    Não entendo por que a teimosia em transformar a repercussão desse “rolezinho” em luta de classes.

    Baile funk é festa. Tenho certeza que os próprios “pretos pobres” que foram vítimas dos playboys invasores pediram autorização ao dono da quadra pra fazer o baile. Ou pagaram algo pra ele.

    Shopping é salão de festas? Vamos fazer um rolezinho num velório semana que vem? A funerária fica de portas abertas mesmo, oras, por que não poderíamos fazer isso? A gente chega lá cantando, tomando refrigerante, conversando, rindo. Vai ser legal. O dono da funerária e a família do morto vão adorar. Mas se tirarem a gente de lá, é discriminação.

    Shopping é um espaço privado com acesso ao público. Ninguém é obrigado a sustentar um evento pra mil pessoas sem aviso ou qualquer tipo de acordo entre os organizadores e os donos do espaço.

    Não interessa se é um encontro de pretos pobres, brancos bilionários, crianças de 5 anos, idosos, advogados, um sindicato, uma instituição de caridade ou uma escola de samba. Os shopping centers tem um contrato a ser zelado com os lojistas que alugam suas instalações!!!

    Já que é assim, semana que vem ficam todos convidados para o churrasco do meu aniversário no Shopping Leblon. Ou então para um campeonato de natação que vou organizar em março na piscina do clube da minha cidade. E não precisa ser sócio pra entrar não. Esse negócio de espaço privado hoje em dia não existe mais. É só entrar lá e pronto. Se tiver outro evento ou outras pessoas usando a piscina, elas que se virem. Se a polícia tirar a gente, vamos na televisão dizer que somos vítimas da segregação. Esportistas renegados que não possuem lugar no Brasil. Se alguém for pobre, melhor ainda. Vítimas dessa sociedade capitalista!!! Tão ingênuos e indefesos…

    Espaço público é parque, praça. Deviam fazer esse tipo de eventos nesses lugares. O máximo que precisam fazer é avisar (não confundam com pedir autorização) a polícia de que haverá uma reunião de pessoas. Afinal, se quiserem fazer em espaço privado, precisam de autorização, oras.

    • Leonardo Amando disse:

      Tô contigo, Marcos.

      E continuo a questionar o porquê de não haver “rolezinho” em bibliotecas e museus.
      Tonto mundo, onde se vai a algum lugar, arrastado pela rede social, convictos da necessidade de não se sentirem excluídos do evento, que “os mano organiza”.
      A quem interessa, do ponto de vista eleitoral, desestabilizar os governos do RJ e Sp, sabidamente falhos na atuação do seu aparato policial ?
      A quem interessa reavivar a dicotomia marxista, em ano de campanhas e urnas ?

      Alô periferia-marionete, que tal irmos ler uns livros ?

    • Denise disse:

      Perfeito.

    • filipe disse:

      finalmente! agora sim!

    • André Araújo disse:

      Ufa!!! Finalmente alguém lúcido para analisar os fatos sem radicalismos.
      O Shopping não é um espaço público, é PRIVADO. Ele tem ACESSO público, mas não é público.
      Qual o motivo desses grupos se reunirem-se em Shoppings para seus “Rolezinhos”?
      Podem fazer seus “Rolezinhos” em espaços efetivamente PÚBLICOS, como praças, parques, etc.
      Se eu fosse lojista de um Shopping, também ficaria muito incomodado com essas atitudes que só servem para espantar os clientes, sem nenhum objetivo maior.
      Aliás, queria ver quem aqui ficaria tranquilo ao estar passeando em um desses Shoppings e, de repente, avistar 50, 100, 200, 500 pessoas correndo em sua direção apenas para “dar um Rolezinho”…
      Observem que não citei nada a respeito de classes sociais, simplesmente por considerar que esta prática não cabe em nenhuma classe, seja ela a menos ou a mais favorecida. Para mim, “Rolezinho” não deve ser tolerado em nenhuma delas, desde que o espaço seja privado.
      Luta contra o preconceito racial e discussão sobre desigualdade social não tem nada a ver com isso!
      Basta de hipocrisia!

      • NILTON disse:

        André,

        Você tocou em pontos muito importantes de certos assuntos, como o da crônica do Leo, e concluiu muito bem ao dizer: “Basta de hipocrisia”.
        Somos, efetivamente, um povo de hipócritas. Falamos em tese, sentados em nossas poltronas confortáveis, mas não movemos sequer um dedo para ajudar alguém, nem que seja uma criança chorando de fome, no colo de uma mulher mendiga, na rua.
        Bancamos os defensores dos fracos e oprimidos também em tese, porque está na moda, porque é “politicamente correto”, que, aliás, é uma das invenções mais ridículas que existe no mundo de hoje (a do “politicamente correto”).

    • PDF disse:

      Clap, clap, clap, clap…

    • ana.bonan@oi.com.br disse:

      Concordo, Marcos! É inegável que a nossa sociedade é racista e excludente mas gostaria de perguntar o que o autor do artigo faria se fizessem um rolezinho no condomínio dele. Ficaria com medo? Chamaria a polícia? Ou acharia maneiro? Se juntaria aos jovens para trocar uma idéia?

    • Eduardo Aquino disse:

      Na mosca!

    • regina mas disse:

      Marcos, você falou e disse!
      Concordo… estou com você!

    • Edna disse:

      Concordo com vc Marcos. Hj em dia td é motivo para se levantar a bandeira da discriminação. Combater vandalismo hj em dia é sinônimo de arbitrariedade.

    • NILTON disse:

      Marcos,

      Achei a crônica do Leo muito engraçada e irônica. Mas concordo com tudo o que você disse. Não se pode confundir direitos individuais com bagunça programada. Duvido muito que, se um grupo de mauricinhos e de patricinhas invadisse um baile funk, em clara atitude de contestação, não fosse hostilizado.
      Honestamente, essa coisa de “politicamente correto” me causa repulsa.

    • Cristina disse:

      Disse tudo Marcos, parabéns.

      • Cristina disse:

        Costumo frequentar shoppings e nunca vi ninguém ser discriminado. Alguns anos atrás, esses lugares só eram frequentados por gente que tivesse grana, hoje é diferente, vc vê de tudo, pessoas de chinelo a saltos altos, com bolsas ou mochilas. Não tem mais diferença pois as lojas de rua estão desaparecendo e nos shoppings tem lojas para todos. Isso é hipocrisia, bobeira, coisa de quem não tem o fazer.

    • regina mas disse:

      Excelente sua argumentação! Você falou e disse!
      clap… clap… clap…

    • Daniel Atrib disse:

      Perfeito, sem mais.

    • Rodrigo disse:

      Pronto. Acabou-se de rebater qualquer dúvida e colocados estão os pingos nos Is. Problema é que no Brasil a discriminação é velada, mas quando a mídia explora um acontecimento envolvendo raça (etnia) e condição social todos gostam de ir na aba e fingir que são justos e que têm consciência social. Mas nada justifica atos de vandalismo em flagrante transgressão aos direitos de propriedade.

  6. Martha Batalha disse:

    Leo, seus textos são o que eu estou lendo de melhor no Brasil nestes tempos. Muito legal.

  7. Brasileiro disse:

    Afinal todo esse mundo de gente “pobre”, só tem a TV, como forma de lazer, e lá é que eles vêem o maravilhoso mundo que é o Brasil, repleto de pessoas louras, de olhos azuis, felizes, consumindo, curtindo e usufruindo da vida, como em nenhum outro país do mundo, tão lindo e rico quanto é o nosso! E só querem um pouquinho, um pedacinho dessa felicidade, alegria e riqueza! Também querem saber o que tem dentro dessas caixas enormes de concreto chamadas Shoppings, que alguns até ajudaram a construir, também querem saber o que é ser “brasileiro”!!! Acontece que essa mesma Classe Média”, só sabe reconhecer os da Classe Pobre, quando chegam as visitas e falam de seus empregados(escravos), como sendo “quase” da Família, “como se fossem”, afinal criaram as mães, filhas e netas da casa, são “quase”, enquanto ficam no seu quartinho dos fundos, mas quando os filhos e netos desses mesmos empregados, não respeitam o espaço reservados pra eles, os “curraizinhos”, aí estão invadindo, causando, tocando terror, na ordem e atrapalhando o progresso vigente!!! Não existe infraestrutura no país pra todo mundo, não temos ruas, casas, estradas, aeroportos, Shoppings, coisas pra todos, só falta combinar com essa massa gigantesca de gente, que resolveu “freqüentar” o espaço da classe média, sem avisar, nem pedir licença, afinal não da pra exigir cultura e educação, pra quem não teve nunca a oportunidade de receber isso da sociedade, estamos colhendo o que plantamos, e isso posso garantir, não é nem a pontinha do que vem por aí!

    • Leia disse:

      Uma coisa é frequentar o local, outra é chegar com uma cabeçada do cacete e tocar o zaralho. São coisas bem diferentes! Uma coisa é fazer zona em um lugar público, outra é em um local aberto ao público. Se vão quebrar essa regra, qualquer um ganha direito a invadir sua casa, dar um rolezinho, se vc não for pobretão já te taxam de capitalista explorador.

      Ah então tem gente que trata mal a empregada, então vamos lá no shopping incomodar os supostos otários bacanas de boa vida! Grande ideia, coisa de gente genial. Além de gerar mais clima de ódio, ainda é uma visão equivocada, pois tem todo tipo de público no shopping, inclusive muitos raladores que só querem dar um rolé na paz, não com mil pessoas cantando funk ou ópera.

      Tem pessoas de todas as classes, visto que é um espaço para muitos mais de encontros, lazer e milkshake do que propriamente comprar em lojas caras. Isso é para uns poucos, ou no caso da classe média, de vez em quando. Com essa politica de hoje, de vez em nunca.

      Além disso, tudo o que os menos favorecidos não têm, não é por culpa da classe média, visto que é a quem mais sofre os ônus dos tributos no país. Classe média é a que mais toma na bunda, trabalha para pagar as contas e andar na linha e em um total surrealismo, ainda acusam de arrogância e destratar os mais pobres. E isso pq lotou manifestação!
      Só porque tem um poder aquisitivo um pouco melhor, não quer dizer que não rala para caralho para conquistar isso! Pessoal só aponta os filhos de papai e mamãe, que quando perderem seus pais, se não se mexerem, vão só se fuder na vida pq não aprenderam a lutar, mas esses exemplo não resume a classe média como um todo, nem esses pais que deram tudo de si para dar o que podem aos seus filhos. Alguém trabalhou um bocado, pessoal acha mesmo que dinheiro dá em árvore?E nem adianta falar que ao menos classe média pode pagar educação, pq tá cheio de diplomado sem emprego, ou até, trabalhando por baixos salários.

      Essa modinha que é o cúmulo da infantilidade de tudo é luta de classes virou base para justificar toda merda que acontece, que por sinal, nenhum desses pseudos flashmobs foi de fato útil e produtivo para se conquistar de fato algo para esta população mais carente.

    • Leitora disse:

      Ótimo comentário! É engraçado que outros mandam as pessoas dos rolés lerem… eu leio pra caramba e concordo que a maioria da classe média e dos ricos só querem os pobres por perto se for pra trabalhar (ser escravo) pra eles… na hora do lazer, que fiquem bem longe! Uma vez fui em um shopping em Salvador e saí de lá muito, muito, muito revoltada, aproveitando o shopping, só brancos, trabalhando, só negros (em uma cidade que 60% da população é negra). Depois dizem que no brasil não tem segregação, não tem racismo. Um bando de hipócrita, isso sim. Quem critica cotas, bolsa família é só quem nunca precisou de tais políticas públicas. Ninguém quer transformação social… nem perder privilégios. Depois vão chorar quando sofrerem violências, mas é a própria sociedade que produz a marginalidade, com todas essas segregações e escravidão.

  8. Celina disse:

    Os shoppings em finais de semana, sobretudo aos domingos, sempre foram frequentados por jovens pobres, sejam pretos, brancos ou albinos. Isso não é nenhuma novidade. É o dia da periferia. A garotada coloca sua melhor roupa da C&A customizada e se reuni na praça da alimentação. Agora marcar um “evento” com mil pessoas é outra história. Qualquer um chamaria polícia se fosse na porta de seu prédio.
    Ando tão cansada com essa mania de luta de classes. Nem Marx aguentaria…

  9. regina mas disse:

    Olá Leo, uma pena que um sujeito como você, que escreve bem, com humor, desancadeando as ideias de forma clara e inteligente, publique algo tão preconceituoso…Sim, preconceituoso em relação à classe média. Afinal, Leo, nem todos da periferia são santos assim como nem todos da zona sul, do Leblon ou Ipanema, são esses cretinos ou cretinas – tipos Mauricinhos e Patricinhas. Não é bem assim…
    Vou lhe contar uma coisa… Fui criada, sim, em Ipanema e estudei desde o Ginásio até o último ano do curso Normal no Instituto de Educação. Prestei um concurso difícil, na época, onde eram mais de 1000 candidatas para 200 vagas e entrei. Lá tive colegas brancas, negras, mulatas e até filhas ou netas de japoneses ou chineses. Tive colegas ricas, pobres, remediadas como eu, enfim, convivi com meninas de todas as classes sociais e nunca, mas nunca mesmo, houve separação por conta de classe social. Formados, sim, uma elite… mas uma elite cultural. Ali o que mandava era o saber e mais nada. Formei-me em professora há muitos e muitos anos… Você, certamente, não era nascido ainda e nem sonhava nascer. Tive amigas que residiam em subúrbios e as respeitava pelo seu saber, pela sua amizade e mais nada.
    Lamento profundamente que as pessoas não tenham as mesmas oportunidades… Lamento que o mundo seja desigual e não ofereça, ao menos, um mínimo a todos. Lamento muita coisa… de fato, me entristeço. Infelizmente não tenho a solução para isso. Será que alguém tem? Será que os Rolezinhos mudaraõ algo nesse mundo? Será que a culpar a classe média, ou mesmo a classe alta irá resolver?
    Falando sério… Onde será que vive o primeiro ministro da Coreia do Norte ou um Raul Castro de Cuba? Será num quarto e sala de uma periferia? Ou mesmo num dois quartos num bairro tipo Catete do Rio? Será meu amigo? Duvido!
    Meu pai começou a trabalhar com 12 anos de idade pra sustentar a mãe doente. Trabalhou muito… muito mesmo… Virou classe média, coitado… virou classe média… que azar o dele!!!
    Se existe algo de que não gosto é hipocrisia…Separo as pessoas, sim, mas pela educação, pela honestidade, pelo caráter… e só.
    Obrigada pela atenção
    regin@

  10. Luiz Silveira disse:

    Leo, valeu!

  11. Luiz V disse:

    Brilhante!
    A cada texto, você fica melhor!

  12. Aureliano Mailer disse:

    O texto é muito bom. Muitos compartilham a ironia e o sarcasmo. Mas pela ênfase dos comentários, outros ficaram indignados. Você estragou com o plano mirabolante de invadirem locais da periferia. Você lançou um olhar pessimista para essas incursões, contraofensivas imaginárias tão legítimas. Não sei o que eles farão mas estão acuados. É pena que um político ardiloso vai aparecer.
    Parabéns.

  13. regina mas disse:

    Já havia feito meu comentário, no entanto, tenho refletido sobre o assunto e decidi postar algo mais, deixando bem clara minha posição a respeito de tudo isso. Sou inteiramente a favor de manifestações populares – isso é parte de uma democracia – que acontecem em vários países desse planeta. Não sei bem se os “rolezinhos” significavam claramente qualquer reivindicação. Sei que foram organizados através da internet – redes sociais – e, me parece, pelo que ouvi, como divertimento, paquera, fotos, etc.
    Acho lamentável que os jovens tenham tantas possibilidades de se organizarem, conseguindo a adesão de centenas de indivíduos, mas sem qualquer objetivo sério, que possa lhes trazer um real benefício, já que tudo indicou que são pobres e vêm das periferias.
    Caso os “rolezinhos” ocorressem reivindicando Educação básica de boa qualidade para todos, melhoria nos atendimentos médicos do SUS, assim como condições humanas nos hospitais, saneamento básico, etc…. enfim, melhorias estruturais no país… aí sim, eu aplaudiria de pé todo e qualquer “rolezinho”.
    O fato é que somente pular de uma classe social-econômica a outra, mais alta, não significa, realmente, inclusão social. É parte, mas, a meu ver, pequena. O poder de compra é importante, sim, mas não é tudo. Importante, de fato, é ter Educação…saber o que significa cidadania. Saber o que reivindicar…e não fazer “rolezinho” pra paquerar. Isso pra mim é falta do que fazer. Pena se disperdiçar esse poder das redes sociais com encontros que não levam a coisa alguma. Se os nossos jovens tivessem alguma consciência política não estariam fazendo esse tipo de “rolezinho”, mas outro bem diferente disso que se viu. Tomara que aprendam e que sacudam esse país do seu “berço esplêndido” e consigam acordá-lo um dia.
    Era só isso…
    Obrigada pela oportunidade de me colocar
    regin@

  14. marcia disse:

    Eu não vi nenhuma das pessoas que dizem ter medo dos rolezinhos, dizer que ficou com medo todas as vezes que os alunos da USP invadiram o shopping Eldorado cantando gritos de guerra e tudo mais…dessa multidão vcs não tem medo???? Porque????? E depois vem falar q não é racista. Definitivamente a classe media sofre.

  15. Jhompas disse:

    O pior é que geral que comentou esse texto… nem se ligou na indireta!

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