Supermercado

Cansei de falar mal de políticos. Vou falar mal de outro desafeto: o Zona Sul. Aqui no Jd Botanico tinha só um mercadinho na esquina, o Crismar. A característica do Crismar foi sempre ter o critério mais claro do mundo em relação aos preços: sempre cobra o dobro dos outros lugares. Não importa o produto, não importa o preço, no Crismar é sempre o dobro. E como sobrevive o Crismar? Na preguiça dos moradores, como eu, em ir até o Mundial, em Botafogo.
Eis que chegou o Zona Sul. Todos pensaram: vai começar a guerra de preços e vamos sair ganhando. E a guerra começou, só que ao contrário: cada um tentava vender mais caro que o outro.
Mas o Zona Sul bolou o golpe de mestre. Sabendo que nada agrada mais a classe média do que artista e coisa importada, passou a importar qualquer coisa. Hoje tem papel higiênico francês (o dobro), sabão em pó turco (o triplo) e por aí vai. Só falta a tecla SAP nas prateleiras. É o paraíso dos posers e marrentos. Muita gente com cara de conteúdo na frente da seção de vinhos, na de azeites, na de queijos até na de limpeza. “Hummm…vc vai levar água sanitário Globo? Afffff… a Globô francesa é tão melhor! Um terroir mais adequado à cozinha, sabe…? Mas para o banheiro a melhor é a The Globe americana, que tem notas almiscaradas.” E eu , preguiçoso por não ir até Botafogo, sou tratado como cão sarnento dentro daquele pedaço da Barra encravado na minha esquina. Até o caixa tira onda com a minha cara: “Mas que cor cartão de crédito é esse? Nunca vi! A maquininha só aceita cartão preto e prateado! Ô Jéssica, ô Daiane! Venham aqui ver o cartão desse fudido! Hahahahaha.” Às vezes coloco até uma caixa vazia de chocolate Lindt ( R$ 80 na promoção, dá pra pagar em 3x sem juros) no meio do feijão e arroz, só pra não ter que aguentar os risinhos à minha volta. O Eike comprava lá, mas acho que foi isso que quebrou as empresas dele.
Aguardo a chegada de um supermercado normal nas redondezas. Um que não tenha um quarteto de cordas tocando ou exija traje esporte fino. Aproveitando o mote do Papa: Mundial, seja missionário!

 

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